O termo Fluido cósmico universal (ou FCU) foi primeiramente usado no Livro dos Espíritos, de Allan Kardec em 1857. A definição de fluido cósmico universal segundo o livro é:27. (Allan Kardec): Há então dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito?
(espírito): "Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer acção sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Este colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e susceptível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a acção do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que não apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá."
Comparando com os conceitos da Física, poderíamos associá-lo ao éter, ao campo, ao espaço e à energia. Entretanto esses conceitos da ciência são limitados porque só são válidos no contexto particular ou teoria em que são mencionados. Por outro lado, os conceitos da Física têm variado com o passar do tempo. Por exemplo:
- O conceito de campo teve diferentes significados dados por Mach, Maxwell, e Einstein. Na física clássica do século IX o campo só existia no interior dos corpos materiais sendo um conceito auxiliar. Na virada do século XX verificou-se que os fenómenos de interferência e propagação da luz podiam ser melhor explicados se considerássemos a luz se propagando num campo capaz de existir também no espaço vazio, o que implicava na existência do éter como um espaço em repouso absoluto. Mas a Teoria da Relatividade Especial tornou insustentável a hipótese de um éter em repouso. O campo passou então a ser um elemento irredutível da descrição física, tendo sido necessário renunciar à idéia de que o campo electromagnético deva ser considerado como um estado de um substrato material. Hoje, com a teoria do campo quântico, a palavra campo representa algo bem diverso do seu significado inicial, possuindo propriedades mecânico-quânticas e partículas associadas.
- A palavra fluido também variou muito desde a época de Kardec quando o éter era pensado como um fluido em repouso. Hoje, em Física, a palavra fluido é um nome associado apenas a substâncias materiais como os gases e os líquidos, indicando a possibilidade de movimento relativo interno.
- Mesmo o conceito de espaço mudou com a teoria da Relatividade Especial, passando a ser um contínuo quadridimensional onde tempo e espaço passaram a ser equivalentes, e depois mudou com a Teoria da Relatividade Geral pois foi dotado de curvatura que depende da quantidade de matéria presente. Na actualidade já foi detectado o arrastamento da estrutura do espaço próximo de buracos negros, deixando o espaço assim de ser considerado como tendo existência independente, ou de ser apenas uma entidade matemática, para ter uma existência objectiva, solidária com a matéria. Mas, diferentemente dos físicos relativistas, os físicos de partículas vêm o espaço-tempo como um cenário de fundo fixo no qual os grávitons (partículas do campo gravitacional) e outros quanta (como os fótons do campo electromagnético) podem interagir e se propagar. Para os físicos que estudam a teoria das cordas super simétricas o espaço-tempo deve ter dez dimensões sendo que as dimensões extras são "invisíveis" porque elas se enrolam em círculos muito pequenos, do tamanho do comprimento de Planck.
Assim, ninguém poderá afirmar que os conceitos actuais da Física não continuarão mudando com o advento de novas teorias no futuro.
Estou certo de que um dia a Física adotará esse nome ou outro similar para designar a substância elementar constitutiva do espaço e da matéria. Nesse dia um tributo será prestado ao Espiritismo por ter salvado esse termo que nos foi dado pelos Espíritos. Em alguns casos devemos usar palavras diferentes das usadas por Kardec, para sermos melhor entendidos por todos, mas no caso do FCU não faz sentido estarmos atualizados com a ciência terrestre quando essa ciência ainda está engatinhando quando comparada à ciência dos Espíritos. Além disso não devemos nos preocupar tanto com revisões da Doutrina. Os livros básicos da Doutrina Espírita devem ser deixados como estão. Seria uma grande pretensão nossa acharmos que estamos hoje muito adiantados e que os conceitos transmitidos pelos Espíritos estariam ultrapassados. À vista das constantes mudanças do significado das palavras com a evolução da Física, como vimos acima, teríamos que estar então preparados para reescrever os livros da Doutrina Espírita quase que anualmente.
Usemos portanto termos atualizados em nossas palestras, artigos e novos livros, fazendo o devido paralelo com os termos da Doutrina para que todos possam entendê-los, mas não nos esqueçamos que são só palavras, conforme nos foi dito pelos Espíritos:
"As palavras pouco importam: Cabe-vos formular vossa linguagem de modo que possais entender uns aos outros. Quase sempre vossas disputas vêm de que não vos entendeis quanto às palavras, porque vossa linguagem é incompleta em relação às coisas que não vos ferem os sentidos."








